Nada é mais irritante do que aquelas pessoas que são inimigas mortais do silêncio. Falam o tempo todo. Conheço gente que fala tanto que sequer conhece o som da minha voz, uma vez que eu, muito educado, não ouso interrompe-las.
Da minha parte, em papos com pessoas de pouca ou nenhuma intimidade, gosto de conversar sobre coisas interessantes. Sim, nós homens sabemos conversar sobre outros assuntos que não sejam futebol e mulheres. Não me recordo de nenhum no momento, mas deve ter.
Ah sim! Amo conversar sobre religião, já que não tenho nenhuma em particular. Já política, não é a minha. Quando perguntam minha opinião a respeito do Lula e o esquema do mensalão, não sei bem o que dizer. Acho apenas que está faltando um dedo nesta história.
Mas a verdade é que quando não tenho o que falar, simplesmente fecho a boca. Evito ficar inventando assunto só pra quebrar o gelo.
Só que as pessoas não são assim. Falam por falar.
Um amigo comentou comigo que pessoas que falam muito fazem isso por causa da solidão. Não sei. Também sou um cara meio sozinho. Pra mim essas pessoas nasceram com a missão de encher o saco, simples assim. Antes delas nascerem, um anjo deve ter ordenado para elas:
- Vá e encha todos os sacos que puderes!
E são muito bem sucedidas nisso, devo dizer. Mas o que realmente me deixa desconfiado em relação a essas pessoas que falam mais que a boca, é que elas fazem amizade rápido demais. Em cinco minutos te conhecem e já vão contando toda a vida delas, até mesmo o histórico médico da família.
Ah, as doenças! Eu tinha me esquecido das malditas doenças! Toda vez (eu disse toda vez) que pego um ônibus para viajar, senta uma velha do meu lado e começa a falar de doença. E na poltrona de trás, evidentemente, um menininho comendo aqueles salgadinhos amarelos que logo em seguida serão vomitados, deixando por todo o ônibus aquele delicioso perfume de final de expediente de pedreiro.
Na última viagem, a velhinha que sentou - se ao meu lado falou por duas horas sem parar sequer pra dar uma vírgula. Quando parou de falar (intervalo de meio segundo), ela quis saber o que eu fazia da vida.
- Sou escritor. – respondi.
- Que bacana. E que tipo de histórias você escreve?
- Pornografia infantil.
Ela mudou de poltrona na hora. Desde então, tenho usado esta tática.
Como disse, desconfio de gente assim por uma razão muito simples: amizade se conquista, vem aos poucos, é como o amor. Quando a pessoa é logo de cara muito simpática e faladeira, ou está sendo muito falsa, ou é muito carente.
Aposto que antes de Hitler se tornar o monstro que foi, as pessoas falavam a mesma coisa dele. Fico imaginando ele dando um daqueles seus discursos histéricos no meio de uma praça qualquer de Berlim, e dois judeus por ali passando param e comentam:
- Olha que sujeitinho engraçado aquele. Baixinho, cabelo escorrido...
- E fala mais que a boca!
- E aquele bigodinho então? Já viu coisa mais hilária?
- Mas ele parece meio zangado...
- Bobagem. Alguém que usa um bigodinho tão engraçadinho, não pode ser tão mau.
E deu no que deu.
Diego Gianni
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
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Um comentário:
Acho q vou falar menos....hahahahaha
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