Sabe quando você está andando pela rua e pessoas passam rapidamente conversando umas com as outras? Sempre fico morrendo de curiosidade para ouvir as conclusões de suas conversas, mas são apenas vozes e rostos que nunca mais voltamos a ver e ouvir.
Hoje mesmo. Eu dentro do ônibus, duas senhoras conversavam enquanto a porta não abria para elas saírem:
- Soube da Margô?
- O que ela aprontou desta vez?
- O mesmo que a Vanoca.
- (incrédula) Nãooo...
- Te juro, menina.
- E o que o Celso achou disso?
- Bom, ele...
Saíram. Fiquei sem saber o que a tal Margô fez (nada que a Vanoca não tenha feito), e muito menos se o Celso gostou ou não.
Outro dia, caminhando, foi mais curioso ainda. Dois homens andando lentamente na minha frente, um gari e um japonês. O gari super simples, o japa caladão, sisudo. Conversavam sobre o 11 de setembro.
Gari: Eu lembro que eu tava em casa quando o avião bateu nas torre.
Japonês: Humnn.
Gari: Que coisa, né?
Japonês: Humnn.
Gari: Era tão bonitas as torre do “uordi treidi center”, uma pena que os avião acertou.
Japonês: Humnn.
Gari: O que você acha disso tudo?
Japonês: Eu só tenho uma coisa a dizer sobre tudo isso.
Não ouvi a opinião do japonês, eu já estava atravessando a rua. Devia ser interessante, talvez algo a ver com o Pearl Harbor.
Pior é quando a conversa alheia vai de um assunto para outro. As mulheres fazem muito isso. Pulam de assunto como os cangurus saltam pela vida afora.
Eu dentro do cinema, na fileira da frente, duas garotas conversavam no meio do filme:
- Nem te conto o que o Arroz me disse.
- Eu vou querer saber?
- Ainda nessa? São águas passadas.
- O Arroz não vale o que come. Mas diz. O que ele disse?
- (olhando para a tela do cinema, como se só então percebesse que estava passando um filme) O Léo não tem mais o sex appeal de antes.
- Depois do Titanic ele nunca mais foi o mesmo.
- Aquela vaca é que soube aproveitar. Qual era o nome dela mesmo?
- Quem?
- Da vaca da atriz do Titanic.
- Kate alguma coisa.
- Kate Winslet!
- Isso.
- Vaca.
- Vaca. E o Arroz?
Neste exato momento Di caprio mostrou suas nádegas brancas em cena, o que fez as duas se calarem pelo resto do filme. Fiquei curioso, sobretudo, em saber o por que de alguém ser apelidado de Arroz. Vou morrer sem saber essa.
Sei apenas que gosto das coisas com começo, meio e fim. Não saber os finais das histórias me angustia de uma forma inenarrável.
Isso me lembra um certo dia, quando eu...
Diego Gianni
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
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Um comentário:
Santa criatividade!!!!
Deus abençoe esse menino! rs..
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