Ando com lapsos de memória. Nada sério, mas mesmo assim decidi ir a um encontro de pessoas com dificuldade para memorizar as coisas.
Ando com lapsos de memória...já disse isso?
Bom, vou contar como foi a ocasião, e neste caso, penso que será mais fácil contar na forma de dramaturgia:
Eu entro em cena. Cenário: uma sala qualquer. Meia dúzia de pessoas estão ali. Beto, o líder dos desmemoriados, vem me saudar.
Beto: Bem vindo, novato! Meu nome é Beto...acho.
Eu: Prazer, Diego.
Beto: Meu nome é Beto.
Eu: Eu sei.
Beto: Desculpe. Nós e os nomes, você sabe como é.
Eu: Sei como é o quê?
Beto: Também não lembro.
Joca se aproxima.
Joca: Aê novato...te aconselho a escrever teu nome num crachá e não tirar mais ele do peito, manja?
Eu: E cadê o seu?
Joca (desesperado): Meu Deus! Eu não sei mais quem sou eu!
Fábio o tranqüiliza:
Fábio: Você é o Fábio.
Joca: Tem certeza?
Fábio: Absoluta.
Joca: Graças a Deus! E o seu crachá, onde está?
Fábio: Também perdi.
Eu: E quem é você?
Fábio: Joca, prazer.
Eu: E estes encontros estão te ajudando com o seu problema?
Fábio: Que problema?
Eu: De memória.
Fábio: Sim, com certeza.
Beto: Mas sente-se, Rogério.
Eu: Meu nome é Diego.
Fábio (se irrita): Providencie logo este crachá! Estamos avisando desde a semana passada!
Eu: Mas hoje é o meu primeiro dia.
Beto: Senta, Rogério!
Eu me sento e fico caladinho.
Beto (me apresentando os outros membros): Estes são...(força a vista para ler os crachás) Bituca, Vinícius e Filomena.
Na mesma hora lanço um olhar fulminante para o decote exuberante de Filomena. Quando ela percebe, dou a desculpa de estar lendo o crachá.
Eu: Filomena. Bonito nome.
Beto: Bom gente, vamos começar. Antes de mais nada, dêem as boas vindas ao novato.
Todos: Salve, Rogério!
Eu: Eu não me chamo Ro...
Beto: Vamos começar de onde paramos semana passada.
Silêncio geral.
Beto: Aliás, onde foi que paramos semana passada?
Todos se olham confusos. Bituca arrisca:
Bituca: Acho que o Rogério estava falando de como foi para ele descobrir sua homossexualidade.
Eu: Eu não sou gay!
Fábio (rindo) – Sei. E estes suspensórios?
Eu: Isto é um disparate! Não me viram olhando o decote da Filomena?
Filomena: Você disse que estava lendo o crachá.
Eu: Eu menti!
Fábio: A fruta é mentirosa...
Beto: Fábio, por favor! Pare com isso!
Eu: Obrigado.
Beto: Vamos respeitar a opção sexual do nosso coleguinha.
Eu: Eu não sou gay!
Joca (pisca o olho para mim): Claro. Eu também não.
Beto: Tudo bem, você não é gay, mas e se fosse? Agora nos fale um pouco sobre a sua vida.
Eu: Bem...estudei educação artística, fiz curso de cozinheiro e trabalho com teatro.
Todos me encaram.
Fábio: E ainda diz que não é chegado...
Eu: Vai se...
Beto: Olha a boca, Rogério!
Eu: Quer saber? Filomena, vem comigo!
Agarrei Filomena e levei para um motel. Ela, ingênua e romântica, acreditou que eu a amava e se entregou a mim. E eu desfrutei sem sentimento algum de culpa.
Afinal, na manhã seguinte, ela não se lembraria de coisa alguma.
Diego Gianni
terça-feira, 4 de setembro de 2007
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2 comentários:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Que maravilha!!!
Isso daria uma boa esquete.
hahahahahahahah!!! Muito massa!!! Vc deveria ter colocado essa tbm no festival... Hahahahaha
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